quinta-feira, 31 de março de 2011

Carta de Tarot do Dia: 9 de Espadas

Tradicionalmente difícil, a carta de hoje no baralho dDürer mostra um homem a limpar as suas armas após uma derrota. Falhas, desespero, decepção. decadência e desamparo fazem parte da nossa experiência de tempos a tempos. Sinta tudo, viva a tristeza e dissolva a mágoa. Um novo dia está à porta. 

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Imagem: Tarot de Dürer (Giacinto Gaudenzi, Lo Scarabeo, 2004)

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quarta-feira, 30 de março de 2011

Carta de Tarot do Dia: O Magico

Faça magia com as suas próprias mãos. Tem uma necessidade, manifeste-a. Mexa-se, faça o possível para concretizar os seus sonhos. Mesmo que seja acusado de ter uma atitude egoísta ou egocentrista, lembre-se que o seu impacto, o impacto da sua vontade e dedicação no mundo pode trazer benefícios a todos. Enquanto persiste, lembre-se do bem-estar que produz. 

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Imagem: Tarot de Dürer (Giacinto Gaudenzi, Lo Scarabeo, 2004)

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terça-feira, 29 de março de 2011

Carta de Tarot do Dia: 3 de Copas

Espero que aproveite o dia para festejar e comemorar... o que houver para comemorar na sua vida! Na minha há muitas oportunidades para agradecer e espero que na sua haja também. Se não houver sucesso, vitória, sorte, cura, alívio, satisfação, perfeição... (não há?!), invente-os.  

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Imagem: The Legacy of the Divine Tarot App (Ciro Marchetti, 2010, @ iTunes)

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segunda-feira, 28 de março de 2011

Carta de Tarot do Dia: O Imperador

A semana começa com organização, força de vontade e muita capacidade de liderança. Mesmo que não tenha ideias de acabar os seus projectos a tempo, comece-os com garra e determinação. Se não está em controlo, deixe-se comandar pelas figuras de autoridade que a chefiam. Elas sabem o que fazer. 

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Imagem: Alchemical Tarot (Robert M. Place & Rosemary Guiley, 2008)

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domingo, 27 de março de 2011

Dez coisas que o seu tarólogo não lhe revela

Conheço a Ginny Hunt há vários anos, principalmente através do seu blog e podcasts. Identifico-me bastante com a leitura numerológica que faz das cartas de Tarot. Ginny Hunt traz ao tarot um olhar moderno, uma linguagem actual e um discurso descomplexado sem cair no brejeiro.
Por isso resolvi dar-lhe algum tempo de antena e aproveitar para escrever um post inspirado no seu mais recente, Dez coisas que o seu tarólogo não lhe diz (em inglês). A partir dos dez tópicos, desenvolvo com ideias partilhadas e pessoais.
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Imagem: Okinawa Soba @ Flickr 

  1. Não sei se a minha leitura ser-lhe-á útil. Eu espero que sim, mas mesmo quando ambos temos um bom entendimento da pergunta e da resposta, a leitura pode não acrescentar informação que lhe seja muito útil. Pode até dar-lhe apenas informação que já sabe.
  2. Nem sempre uso a intuição. Ler cartas de tarot é uma coisa, utilizar a intuição é outra. Ambas podem coexistir, mas não é necessário. Por vezes, intuo nomes, datas, locais e esse tipo de informação mais concreta quando leio tarot, mas nem sempre. Raramente dou relevância a esta informação, porque não é consistente.
  3. Não leio pensamentos. Se quer saber sobre uma dada situação, é melhor falar-me sobre ela porque eu não adivinho o que vai na sua cabeça. Se quer testar as minhas capacidades e oculta dados importante, pode não receber a leitura que quer. A cartas falam de situações ou eventos que se expressam de maneira diferente em todas as pessoas. Se quer que eu perceba a mensagem nas cartas, é necessário que me diga como essas energias se apresentam na sua vida. 
  4. Quero que faça perguntas sobre a leitura. Prefiro que os meus clientes estejam envolvidos no processo de leitura. Quero que me ajudem a ajudá-los. As leituras não se compram em supermercados, porque não são produtos de troca directa. Parecem-se mais com uma peça de roupa depois ajustada às suas medidas, para lhe servir perfeitamente. Quero a sua participação sempre e o seu feedback, positivo ou negativo. Mesmo em leituras via email, encorajo sempre os clientes a pedirem-me mais informação sobre a pergunta, caso não estejam esclarecidos. 
  5. Não consegue fazer o que eu faço. Aprender tarot, e todos os componentes de uma leitura de tarot, requer muito tempo, dinheiro e dedicação. As leituras não saem de um livro de significados das cartas nem de um site de internet com leituras automáticas. Eu empenho-me e trabalho para ler as cartas em resposta às suas questões. Por isso, sou pago para o fazer. 
  6. Detesto quando me pedem leituras de graça. Se quer que lhe leia as cartas, existe uma troca energética necessária. Se não tem possibilidades de pagar, existe uma grande probabilidade de não fazer a leitura. No entanto, já aconteceram permutas e, por vezes, leio em eventos ou locais onde ofereço os meus serviços. 
  7. A não ser que refira outros serviços, não presuma que os presto. Alguns tarólogos têm outras valências, como astrologia, numerologia ou reiki, mas nem todos. Por isso, se me der informação astrológica ou se acredita que uma boa leitura de tarot a deve incluir, não espere que eu utilize esses dados.
  8. Por vezes, não identifico informação relevante. As cartas contam uma história e faço questão de observar e revelar todos os pormenores que percebo dessa narrativa. No entanto, pode haver detalhes que me escapam. Quando a informação é mesmo importante e eu não a vi, sinto que não estive à altura de uma excelente prestação. Por vezes, as cartas não revelam algo de muito óbvio na vida de alguém. O tarot também não é perfeito. 
  9. Não vou cuscar os seus amigos. Ou A Outra. Não é que eu não possa/saiba, é que não quero. Espere que a leitura se foque em si, principalmente, porque a única parte que pode e que é da sua responsabilidade gerir, é a sua vida. 
  10. Não dependa de mim. Por favor, não me faça a mesma pergunta 1000x num espaço de 2 meses. Por experiência, a informação que surge é sempre a mesma, nesses casos. O tarot dá instrumentos para tomar melhores decisões, por isso experimente-os e dê tempo ao tempo. 
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    sábado, 26 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: A Roda da Fortuna

    Agora que o país gira para novas paisagens até aqui desconhecidas, é altura de nos tornarmos cada vez mais responsáveis, principalmente pelas nossas acções individuais. É tempo de ser quem é e de assumir essa diferença. 

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    Imagem: Rumi Tarot (Nigel Jackson, Llewellyn, 2009)

     

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    sexta-feira, 25 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: 2 de Paus

    A incerteza surge quando sabemos que não queremos algo no passado e não temos direcção clara para o futuro. Este estado de ausência de compromisso com ambas as partes é uma perda de tempo e de energia. Andar às voltas não leva a lado nenhum. Faça contas à vida ou avance por um caminho concreto. Vá por um lado ou por outro, mas saia desse marasmo.

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    Imagem: Deviant Moon Tarot (Patrick Valenza, US Games, 2008)

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    quinta-feira, 24 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: 8 de Paus

    Verifique o seu email hoje, várias vezes se possível, porque é provável que cheguem notícias importantes. A energia é rápida e implacável; ou está com vigor para a acompanhar ou fica para trás. O dia hoje é a correr!

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    Imagem: Deviant Moon Tarot (Patrick Valenza, US Games, 2008)

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    quarta-feira, 23 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: Roda da Sorte

    Algo vai mudar... ainda não se sabe bem para onde, mas aproveite os últimos tempos porque as mudanças estão à porta! A deusa Fortuna (em Roma, Tyche na Grécia) gira a sua roda e determina o futuro daqueles que a procuram para previsões. Considere que a roda da sua sorte está a girar e ainda não parou... onde quer ir?

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    Imagem: Massimiliano Filadoro & Luigi di Giammarino (Lo Scarabeo, 2005)

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    terça-feira, 22 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: 9 de Copas

    Um período da sua vida culmina num estado muito positivo, muito construtivo. Como tudo o que culmina, passa a uma nova fase com todos os desafios... Neste momento, aproveite e sinta como as emoções podem ser tão plenas, como podem realizá-lo tão profundamente.  

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    Imagem: Alchemical Tarot (Robert M. Place & Rosemary Guiley, 2008)

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    segunda-feira, 21 de março de 2011

    Equinócio Vernal - Leitura de Primavera

    Nada melhor que começar a Primavera com uma leitura de tarot. Raramente leio directamente para mim, mas hoje senti a necessidade de puxar de um baralho de confiança e deitar umas cartas (adoro a expressão "deitar cartas"!). Mas como poderia aproveitar esta data de início de uma nova estação? Que questões fazer?

    Encontrei então uma tiragem específica para o equinócio de Primavera com as seguintes perguntas:
    1. A carta em cima representa a energia dos próximos três meses de Primavera.
    2. A carta à esquerda representa o chão árido e frio - a parte interior que não dá frutos e que resiste à mudança.
    3. A carta central representa o novo verde - algo novo no interior que quer emergir.
    4. A carta à direita representa a vida em flor - o que esse agente novo se pode tornar se for bem nutrido.

    Eis as cartas que saíram:

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    Leitura
    A minha primeira atenção vai para o facto das cartas estarem todas associadas a elementos diferentes, o que por si revela um equilíbrio complexo. A carta ao topo da tiragem revela que este será um período de descanso e de afastamento de conturbações, como as do Inverno passado, que para mim foi uma avalanche de trabalho e preocupações. Talvez sugira que está na altura de ocupar o meu tempo com pessoas que têm interesses semelhantes ao meu e menos com pessoas que vivem uma filosofia distante da minha. Embora represente uma fase de recuperação, não é uma carta "apagada" porque representa actividade mental concreta. Serei proactivo face ao bem bem-estar, principalmente através da análise lógica das minhas escolhas.

    Esta carta está em directa oposição com a carta que representa o obstáculo interno, ou a atitude que predominou durante o Inverno, agora obsoleta. E é de facto uma carta de grande passividade, uma carta lenta que se foca na estabilidade e na segurança. Se houve uma altura em que fez sentido privilegiar a dedicação aos aspectos que enraízam a minha vida, a Primavera mostra que devo ser mais ambicioso, mais empreendedor e confiante nas minhas ideias. A carta central está numa posição bastante enfraquecida neste lance e, embora seja um arcano maior e marque dessa forma uma presença irrevogável, a leitura aponta para a necessidade de gestão desta energia. Para além da sua presença, esta energia precisa de direcção e, segundo as cartas, de uma atitude destemida e determinada face a objectivos concretos. É como se a carta estivesse a pedir que olhe para ela directamente e que a assuma, senão corro o risco de ela estar presente em segundo plano, mas com a mesma influência. Esta é a carta que representa o que quer emergir... e faz sentido. A Lua representa o trabalho com a intuição, os fenómenos do oculto, o karma e a necessidade de atender a informação que vem desse mundo e que está associada aos ciclos e às correntes que existem embora não nos apercebamos delas. Da mesma forma que a Primavera deriva do Inverno e que todas as estações rodam sem a acção directa do Homem, há um plano espiritual que se desenrola nos bastidores e que condiciona a nossa vida. A Lua pede para que se olhe para esse lado menos visível ou que se revela apenas por fases, em ciclos. Tendo em conta a leitura, talvez esta carta sugira que dê mais tempo ao meu trabalho intuitivo, que invista mais nesta área da minha vida.

    A última carta mostra que poderei ser mais eu próprio se me dedicar mais a essa área, trabalhar mais nesse ramo se assim o decidir. A energia principal da estação favorece bastante a atitude de empreendedorismo.

    É uma boa sugestão e vai ao encontro de algumas das minhas preocupações nos últimos tempos. Para onde levar o meu trabalho com o oculto? ... e até, se quero avançar... Estes três meses poderão revelar algumas decisões que a leitura me coloca, descaradamente, em cima de mesa.

    Mary K. Greer escreve no livro Tarot Constelations, na descrição da Lua como factor oculto para aqueles que, como eu, têm o 9 como número da vida:

    "Percebe intuitivamente os sistemas simbólicos e poderá ter experiências místicas (...). As suas capacidades intuitivas e clarividência, se desenvolvidas, capacitam-no para ajudar os outros a aceder aos seus mundos interiores. Poderá ser um espelho que reflecte as expectativas, necessidades e planos de outras pessoas. (...) pode ajudá-las ao reflectir o que não conseguem exprimir. Desta forma, pode ser um catalisador para os outros, uma competência potente que pode ter resultados imprevistos quando activada inconscientemente, mas pode, no entanto, ser canalizada em consciência para o bem maior, principalmente para revelar correntes e intenções escondidas." 


    Parece que esta leitura chama a atenção para a necessidade de investir no meu papel na vida. Há coisas das quais não podemos fugir.

    Carta de Tarot do Dia: 3 de Paus

    Bem vind@ à Primavera! Olhe a Primavera, agora que ela começa, com uma perspectiva de crescimento, de mudança construtiva. Como pode melhor aproveitar este período para crescer? O que pode fazer para acompanhar a Natureza no movimento de expansão, abertura e fecundidade?

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    Imagem: Primavera Tarot, Le Tarot Art Nouveau (Antonella Castelli, Lo Scarabeo, 2003)

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    domingo, 20 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: 4 de Espadas

    É tempo de descansar e recuperar das mazelas do Inverno. Hoje é noite de equinócio e esperam-se dias liiiinnndos nos próximos meses. Aproveite para sentir o sol desta tarde e se afastar de todas as preocupações que têm ocupado a sua cabeça e o seu tempo ultimamente. Aproveite a presença da família ou daqueles que lhe são mais próximos. Sinta-se livre!

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    Imagem: Tarot of Prague (Karen Mahony & Alex Ukolov, The Magic Realist Press, 2004)

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    sábado, 19 de março de 2011

    Carta de Tarot do Dia: Rei de Espadas

    A verdade por vezes vem ao cimo e nem sempre fica à altura de todas as personagens envolvidas no enredo. Algumas caem, mas não o Rei de Espadas. Este Rei é um defensor acérrimo da verdade, e embora nem sempre utilize os meios menos agressivos para a defender, o seu código de conduta moral é irrepreensível. Esteja à altura dos seus valores mais nobres.
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    Imagem: Alchemical Tarot (Robert M. Place & Rosemary Guiley, 2008)
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    Karma Relacional - Exemplo de Leitura

    Após a revisão do livro Tarot Kármico de Clara de Almeida, quis ilustrar com uma leitura que utiliza uma das tiragens originais apresentadas nesta obra. Procurei assim conhecer o karma relacional entre algumas das minhas relações próximas, e... foi difícil encontrar uma pessoa com quem houvesse karma a resgatar. Decidi optar por uma pessoa que conheci há pouco tempo com quem tenho estabelecido uma relação interessante, embora superficial.

    Entramos assim na sucessão de questões para a leitura entre mim e JP. 

    1. Existe karma a completar entre JP e eu?

    O Julgamento – Sim! Esta relação vem de vidas passadas e existe um processo de reequilíbrio kármico que pode ser resolvido nesta vida.

    2. Qual a energia de cada pessoa na vida energeticamente mais próxima?

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    Eu – Valete de Ouros e JP – Valete de Espadas. Seguindo as interpretações dadas no livro, a presença de dois valetes sugere que estas duas pessoas tenham sido “crianças ou irmãos”. Ao verificar o género, concluí que foram ambos rapazes. Dado que as cartas indicam também que o contexto em que interagiam era profissional, poderei afastar a hipótese de consanguinidade e supor que terão sido colegas de “escola” ou aprendizes de uma profissão/ofício.

    3. Que karma existe ou existiu entre nós?

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    A Morte. Segundo o livro, o karma está relacionado com a morte física que um terá provocado ao outro ou que ambos terão provocado a terceiros.  Neste momento, temos uma imagem de morte (homicídio) que ocorreu em contexto profissional ou por motivos associados a trabalho.

    4. Qual foi a atitude de cada um nessa vida anterior?

    Valete de Ouros – O Sol

    Valete de Espadas – A Temperança

    Estas cartas podem revelar uma atitude bastante optimista e equilibrada de ambos, o que, por si, não dá grandes pistas para compreender a situação de morte que está na base do karma. Terei que aprofundar um pouco a leitura de acordo com outros sistemas de interpretação. Em primeiro lugar, a análise dos elementos das cartas sugerem uma diferença importante. O Valete de Ouros é uma carta associada ao elemento Terra e O Sol ao elemento Fogo. Esta é uma combinação neutra que é bastante mais fértil a nível profissional, dado que revela fundações sólidas sobre as quais um negócio se pode expandir. Uma boa combinação para um crescimento moderado e continuado. A combinação Valete de Espadas (Ar) e Temperança (Fogo) é, pelo contrario bastante activa, e revela uma personalidade mais premeditada, estratégica que pode chegar a momentos de descontrolo quando se coloca em causa ou se sente ameaçada. Através da análise numerológica dos arcanos maiores, O Sol é a carta XIX dos Arcanos Maiores. 19 = 1+9 = 10; 1+0 = 1. Segundo a autora, o número 1 representa a individualidade, a capacidade de afirmação pessoal, originalidade, liderança e dinamismo. Portanto, mais uma vez se mostra que o Valete de Ouros, a nível profissional estava bastante focado, e determinado para atingir os seus objectivos, individualmente. A carta A Temperança está na posição XIV entre os arcanos maiores. 14 = 1+4 =5. Este número representa, nos arcanos menores do Tarot, cartas difíceis em termos de experiência pessoal. Na Kabbalah, o número 5 representa o mal, o egoísmo. Segundo a autora, o 5 é sinal de rebeldia, mudança, curiosidade, impulsividade, insatisfação e desejo de liberdade. Parece que o Valete de Espadas está, nesta dupla, bastante mais desconfortável e inconstante que o Valete de Outros, este mais seguro e concentrado.

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    A primeira sugestão que senti ao olhar para as cartas quando as lancei foi a relação visual entre os valetes. Pode ver-se na imagem acima, o ar concentrado, seguro do Valete de Ouros face aos seus “ouros” e completamente indiferente à presença do colega ao seu lado. O Valete de Espadas, por sua vez, olha o companheiro directamente com um ar pouco simpático, sobre um terreno arenoso e acidentado, e segura uma espada, como quem segura uma raquete de ténis pronto a fazer um match point... Terá o Valete de Espadas degolado em grande estilo o Valete de Ouros?

    5. Como terminou esta situação para ambos?

    A Sacerdotisa. A relação nunca se clarificou... o que faz sentido, no caso de ter havido um homicídio.

    6. Qual o propósito da relação actual?

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    O Mágico. Segundo o livro, estas duas pessoas encontraram-se para a “construção de algo ou desenvolvimento de projectos, eventualmente ajuda recíproca, mas tendo cada uma das pessoas uma boa consciência da sua individualidade.” Devo dizer, que a minha relação com JP neste momento é tão nova e superficial que me sinto demasiado admirado e intrigado com esta leitura. O que posso dizer é que não tenho relação profissional com esta pessoa, nem estou a ver como nos podemos envolver projectos comuns. No entanto, faz sentido, no seguimento da leitura que o karma seja resolvido através de um envolvimento equilibrado num projecto profissional bem sucedido.

    7. O que vem cada um cumprir na relação na vida actual?

    Boa pergunta!

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    Eu – O Julgamento. Segundo a Clara venho, com esta relação, aprender a viver sem preconceitos nem juízos precipitados. Talvez este tenha sido um erro que precipitou a atitude do Valete de Espadas na vida passada. O olhar absolutamente antipático do Valete de Ouros na imagem do baralho Rider-Waite-Smith sugere arrogância e até desprezo que poderão ser o espelho de uma mente cheia de ideias pré-concebidas. Portanto, para remendar e reequilibrar o karma devo manter uma atitude aberta e receptiva face a JP, devo ter mais curiosidade que conclusões sobre si. Quando recebo esta carta numa leitura, numa posição deste género, sinto que o conselho é a atenção muito cuidada às sementes que se plantam. O Julgamento é uma carta que reflecte as consequências mais globais dos nossos comportamentos (comer o pão que amassou e deitar-se na cama que fez...) e, nesse sentido, há que ter a maturidade de uma visão mais ampla das dinâmicas relacionais e da nossa ligação espiritual aos outros e ao mundo.

    JP – A Justiça. Alerta-se aqui para a necessidade de manter uma postura equilibrada e saber que todos têm o seu olhar sobre a realidade, numa atitude conciliadora, sem juízos de valor. A minha perspectiva sobre a Justiça passa muito pela necessidade de adaptação à complexidade do mundo social e relacional. Impõe-se aqui um olhar moral e ético (do bem e do mal) sobre a realidade e as dinâmicas relacionais, e não tanto uma perspectiva universal e espiritual associada à carta do Julgamento.

    8. O Karma está resgatado?

    Roda da Sorte. O karma está por resgatar, o que faz sentido, mais uma vez, dado que conheço JP há muito pouco tempo. Em resumo, o ambiente propício para resolver o nosso desequilíbrio é um projecto em comum, em que cada um tem o seu papel bem definido, e se trocam respeito, aceitação e consideração.

    Do ponto de vista pessoal, sinto-me curioso sobre o desenvolvimento e estarei atento à forma como ambos gerimos esta relação numa fase tão precoce. Ajuda-me sem dúvida ter esta leitura que o Tarot Kármico me proporcionou, dado que parto atento e orientado para uma atitude mais adequada, ao mesmo tempo que posso comparar os desafios que aqui foram lidos, para ambos, com a realidade quotidiana.

    Esta sequencia de tiragens é bastante exigente e até corajosa por parte da Clara de Almeida. É uma proposta arrojada que deposita muita confiança e segurança no Tarot. Imaginemos, por exemplo, que depois de todo o enredo que se criou até à questão 7, ao perguntar se o karma está resgatado, a resposta tivesse sido positiva... Pois, faria pouco sentido!! Outra situação menos clara é o facto de terem saído dois valetes, isto é duas crianças, segundo o livro, e depois termos visto que o contexto da relação é profissional. Por esta leitura e por outras que fiz no passado, afirmei na minha revisão que este método deve ser aplicado por tarólogos com experiência e instrução para além do livro da Clara. O valete é uma energia nova que representa o processo de aprendizagem e desenvolvimento, que está em preparação e não é necessariamente uma criança.

    Outras ideias sobre a leitura? Tenho gosto em publicar aqui outras leituras com o sistema de análise kármica da Clara de Almeida. Para isso basta entrar em contacto comigo na página Contacto deste blog.

    Imagens: Baralho de Tarot Rider-Waite-Smith Original (Arthur Waite e Pamela Colman Smith, Ebury Press, 1999)

    Ao Encontro da Aventura

    "Imensas pessoas vivem rodeadas de circunstâncias infelizes, e mesmo assim não têm a iniciativa de alterar a sua situação porque estão condicionadas a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, os quais trazem aparentemente paz de espírito, mas, na realidade, nada é mais perigoso para a alma aventureira que um futuro seguro. O âmago do espírito humano é a sua paixão pela aventura. As grandes alegrias na vida nascem de novas experiências, daí que não haja maior felicidade que a mudança continuada de horizontes, que o nascimento em cada dia de um sol novo e diferente." — Chris McCandless

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    Imagem: Into the Sea (André Viegas, 2011)

    Tarot na Casa dos Segredos

    Nunca pensei ver cartas de tarot utilizadas por concorrentes de um reality show para prever saídas... Mas é o que tem acontecido com frequência na Casa dos Segredos (Secret Story Portugal, TVI).

    O Oráculo de Lenormand

    A primeira vez que uma cartomante me deitou cartas, fui recebido pelo Oráculo de Lenormand. Conhecido em Portugal e no Brasil por “baralho cigano”, embora sejam dois métodos de interpretação diferentes, este oráculo conta com 36 cartas (Le Petit Lenormand) que se organizam em várias tiragens, com o objectivo principal de adivinhação. A primeira versão do baralho continha 52 cartas e foi criado em 1828. Em 1840, foi criada a versão com 36 cartas, impresso pela primeira vez apenas em 1890. 

    Lenormand

    Marie Anne Adélaide Lenormand (1772-1843) foi a cartomante mais célebre na França napoleónica. Numa época de profundas transformações a nível mundial e nacional, a cartomante francesa era consultada por clientes de todos os estratos sócio-económicos, culturais e políticos, incluindo o próprio Napoleão e Josephine Bonaparte. Com capacidades de clarividência atestadas desde a infância, Mlle. Lenormand estabeleceu-se em Paris e criou o seu método de cartomância, muito utilizado hoje em dia em vários países europeus, a par do Tarot. Embora, várias biografias revelem informação contraditória sobre as suas origens, investigação história informa que Mlle. Lenormand aprendeu cartomância através de familiares próximos, provavelmente, da mãe [Decker, Depaulis & Dummett (1996). A wicked pack of cards: The origins of the occult tarot. NY: St. Martin’s Press]. Estes autores defendem que Marie Anne, “não foi apenas a mais famosa vidente das primeiras décadas do séc. XIX, mas mantém-se também a mais aclamada cartomante de todos os tempos.” Diz-se que Napoleão terá ordenado a sua prisão por avisar Josephine das intenções de divórcio do marido, antes de ele próprio as comunicar [Sylvie Steinbach (2007). The Secrets of the Lenormand Oracle. BookSurge Publishing]

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    Nenhum dos baralhos que se encontra actualmente disponível existia na época de Mlle. Lenormand. Apenas após a sua morte surgiram no mercado várias reconstituições do baralho original utilizado pela cartomante francesa. Um dos mais recentes e mais bem acolhidos pela comunidade de leitores destas cartas, é o baralho Lenormand Místico (2006), aqui em vídeo:

    Marie Anne foi a autora de uma obra de estudo sobre D. João VI, Rei de Portugal intitulada: Histoire de Jean VI. de Portugal, depuis sa naissance jusqu'à sa mort en 1826. - Paris : Ponthieu, 1827

    Carta de Tarot do Dia - 9 de Ouros

    A prudência deu bons frutos. Vou fechar um ciclo da minha vida e, ao olhar para trás, vejo que agi de acordo com uma perspectiva saudável e responsável sobre os meus bens. Que áreas da minha vida controlo com sabedoria? Onde se reflectem os resultados de uma gestão prudente? Em que campos posso agora saborear os excelentes resultados do meu investimento?

    Não sou o dono da minha vida, sou o seu gestor. 

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    Imagem: Dame Fortune's Wheel Tarot (Paul Huson, Lo Scarabeo, 2009)

    As Cartomantes de Harry Roseland

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    Adoro a palavra “cartomante”. É despretensiosa e precisa na designação. Cartomante é uma pessoa que pratica cartomância, a adivinhação através de cartas. Nada mais simples e directo. Não são muitas as obras de arte que representam pessoas a consultar e ler cartas antes do séc. XX. Harry Herman Roseland (1867—1950) é um artista americano, aclamado e premiado em vida, que pintou quadros a óleo com representações destas consultas. 

    Um dos temas comuns expressos na sua obra passa pela cartomância realizada por mulheres negras de classe social baixa a mulheres brancas da alta sociedade americana. O ar interessado e atento das senhoras que consultam as cartas, bem como todo o contexto quase improvisado das sessões contrastam com os retratos jocosos e críticos em que as cartomantes são representadas, principalmente na segunda metade do séc. XX.  Roseland nasceu e viveu toda a sua vida em Brooklyn, um dos bairros de Nova Iorque ocupados principalmente por negros e os seus descendentes. Um lugar privilegiado para captar dinâmicas sociais que escapavam à vida elitista de Manhattan. Roseland é considerado um pintor étnico por representar a vida de pessoas de diferentes classes sociais e origens étnicas. 

    Bruxarias e Criaturas Fabricadas

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    No fim de semana passado fui ver uma exposição de bruxaria e criaturas fantásticas a Alcochete. O Freeport junta-se a um conjunto europeu de centros de exposição que aderiu a esta mostra itinerante de 300 peças associadas às artes do bruxedo. A exposição está muito bem organizada apesar da dimensão reduzida. As peças dividiram-se por temas como poções, máquinas de tortura, objectos sexuais, animais estranhos, plantas, bagas e afins...

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    O conjunto é muito interessante e surpreende sobretudo pelos instrumentos de tortura de pessoas acusadas de práticas esotéricas em séculos passados. Na minha opinião, a mostra peca por apresentar demasiadas réplicas e objectos inspirados em histórias populares, mais do que os ingredientes da própria bruxaria. O número de pseudo sereias mergulhadas em fermol é, na minha opinião, exagerado e infantil. Gostei bastante da abordagem, embora sumária, a aspectos históricos e a contextualização das peças no tempo e local de origem. Por €3 passei uma tarde divertida! Divirta-se também por Alcochete até 19 de Dezembro. 

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    Horários de Abertura: 12-18h Sábados, Domingos e Feriados e véspera de Feriados

    Bilhetes: 3 euros adulto, 1 euro criança

    Alejandro Jodorowsky e o Tarot de Marselha

    Alejandro Jodorowsky é um cineasta e escritor chileno nascido em 1927 com um fascínio pelo tarot. Autor de várias obras que relacionam a análise psicológica e o esoterismo, no final de 2009 lançou a tradução inglesa de um livro já existente em espanhol, intitulado The Way of Tarot: The Spiritual Teacher in the Cards. A perspectiva de Jodorowsky sobre o tarot centra-se nas funções de transformação psicológica e espiritual. Como podemos ver no vídeo que ilustra este post, Jodorowsky apresenta-se muito contra a função previsiva, centrada no futuro das leituras e prefere uma abordagem quase psicanalítica da vida mental e do comportamento humano. O foco espiritual está muito presente no trabalho deste autor, e é patente logo no início do video quando Jodorowsky afirma que “o tarot ensinará o seu utilizador a construir a alma”.

    Considero este trabalho interessante, embora não seja destinado a principiantes no tarot. O livro é bastante volumoso em comparação com outros livros do mesmo género e mostra bem a significação das cartas e a relação que Jodorowsky mantém com o Tarot de Marselha. Acho sempre interessante que se reinvente o tarot, não só nas figuras das cartas, mas também na abordagens às leituras, e este trabalho é um exemplo dessa criatividade. Jodorowsky utiliza um baralho que foi criado quase 250 anos antes das primeiras indicações históricas da utilização do tarot como oráculo na primeira metade do século XVIII, para auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal. Portanto, atribui sentidos às imagens nas cartas que estão muito além da sua função à data em que surgiram pela primeira vez. É uma abordagem ao trabalho com as cartas muito diferente da minha, mas vale bastante a pena pela originalidade e riqueza do contributo. 

    O vídeo de 8 minutos que se segue tem uma animação excelente com imagens do bem amado Tarot de Marselha de Jodorowsky, bem como legendas em português. 

    PN

    Quando as Leituras Correm Menos Bem

    Há vários motivos que podem dar origem a uma leitura bloqueada. Neste post, elenco alguns desses motivos e dou sugestões para ultrapassar os desafios das leituras difíceis. 

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    Quando faz uma pergunta sobre trabalho e a resposta reflecte a vida afectiva. Eu interpreto esta “recusa” do tarot, como uma chamada de atenção para uma área de vida que deve ser privilegiada, naquele momento. Acontece muitas vezes nestes casos que o cliente está centrado numa situação irrelevante ou de menor importância no panorama global da sua vida. Acontece frequentemente a pessoas que gostam de camuflar ou de fugir aos seus problemas. O objectivo do tarot é chamar a atenção do cliente para esta área de vida e oferecer dados relevantes para as suas decisões. O cliente faz-nos uma pergunta e tem as suas razões para a fazer. No entanto, nestes casos não lhe podemos dar uma resposta. Vejo três soluções:

    (1) Dizer ao cliente que não lhe pode dar a resposta;

    (2) Procurar a resposta com um novo lance;

    (3) Abordar a mensagem que o tarot quer transmitir.

    Nenhuma destas opções está certa ou errada… a decisão deve ser tomada com bom senso e com as características e estado emocional do cliente. 

     

    Quando faz uma leitura incorrecta. Acredito que o tarot está sempre correcto. O leitor pode não conseguir ou não saber interpretar o sentido adequado nas cartas. Para ultrapassar este problema há várias soluções:

    (1) Envolver o cliente na leitura com perguntas directas, técnicas projectivas ou metafóricas;

    (2) Investir na sua educação e ganhar domínio de vários sistemas interpretativos que, utilizados em simultâneo, dão profundidade à leitura;

    (3) Abandonar o seu sistema de referências e fazer uma leitura criativa, isto é, diga a primeira coisa que se lembrar quando olha para as cartas;

    (4) Ler as cartas de forma não simbólica, isto é, refira-se directamente às imagens nas cartas como espelho dos acontecimentos na vida do cliente. 

     

    Quando o cliente não corrobora a informação. Os clientes querem saber informação que está para além das suas capacidades, e é por isso que recorrem ao tarot. No entanto, há pessoas que têm uma expectativa ou uma necessidade que a informação apareça de uma forma específica, ou que “as coisas” sejam como elas querem. Quando assim não é, o cliente recusa a leitura. Esta situação pode suceder quando estamos a ler sobre pensamentos, intenções ou sentimentos de terceiras pessoas. Nestes casos, pode:

    (1) Manter a sua posição e não alterar a resposta. Esta é uma forma de se respeitar enquanto profissional, mas também o cliente e a sua pergunta. Se sabe a resposta à questão do cliente e acredita que a deve dar, não há motivos para “inventar” uma resposta alternativa só porque a que tem não agrada ao cliente;

    (2) Lembrar ao cliente que nenhum de vós está “dentro da cabeça” da terceira pessoa e que a informação é dada pelo tarot, não é a sua opinião pessoal sobre o assunto;

    (3) Se está a fazer uma previsão e o cliente rejeita, diga-lhe que pode alterar o seu futuro naquilo que depende dele, isto é, ao alterar o seu comportamento, as suas crenças, os seus relacionamentos com os outros, etc... Não depende de si como leitor, alterar o futuro do cliente, por isso pense duas vezes antes de mudar a sua previsão. Alguns autores afirmam que as previsões saem erradas quando os clientes não devem saber o futuro. 

     

    Quando nada faz sentido para o cliente. Quando sente dificuldade em ler as cartas ou em obter uma interpretação que faça de todo sentido para o cliente ou não há ligação produtiva de trabalho, acredito que não deva estar a ler para esta pessoa. Fale com o cliente sobre a sua incapacidade de fazer um trabalho de qualidade e abandone a leitura. A minha sugestão inclui não encaminhar o cliente para outro leitor. Muitas vezes, quando a leitura não funciona de forma nenhuma, não é a altura certa para o cliente obter as respostas às suas questões. Outras vezes, o cliente simplesmente não quer saber as respostas ou tem uma atitude negativa face ao tarot. Nestes casos, o tarot recusa-se a responder e daí advém o bloqueio que sente ao ler as cartas.

    Boas leituras!

    Imagem: Lars Plougmann @ Flickr

    PN

    Prediction - Setembro 2010

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    Fiquei muito satisfeito ontem quando folheei a Prediction de Setembro de 2010. Esta é uma revista britânica antiga que tinha um layout medonho, tipo Maria ou Ana em versão maior. A novidade está no redesign que a revista sofreu para aparecer, a partir do próximo mês, renovada e fresca. Os assuntos são os mesmos de sempre: tudo o que esteja associado a artes de adivinhação. Centrada nos eventos ingleses, traz-nos artigos curtos e referências breves a uma multiplicidade de temas esotéricos, naturalmente abordados de forma superficial e colorida. Não é certamente uma fonte de conhecimento aprofundado, mas combina uma diversidade de técnicas e tendências que me põe a par daqueles assuntos que ultrapassam as minhas práticas. Os artigos longos destes mês passam pelas profecias de 2012, runas e previsões de quatro horóscopos: ocidentais, védicos, chineses e americanos. Na área do tarot, mostra um lance com a Cruz Céltica e a sua interpretação. 

    Se puderem dar-lhe uma vista de olhos, passem por cá e deixem a vossa opinião.

    Boas leituras!

    PN

    Um Jantar Magnífico

    Experiências estranhas e maravilhosas acontecem-nos quando menos esperamos. O meu fascínio pela cultura e história árabes têm-me trazido a lugares exóticos que combinam o luxo do ócio e o mistério da simplicidade. Karen Armstrong, no livro Islam: A Short History conta uma estória sobre o envolvimento dos templários no estilo de vida árabe. A permanência dos cavaleiros por terras onde o bom gosto e o requinte se vivem através de refeições bem preparadas e condimentadas, odores intensos em perfumes, óleos, sabonetes e loções e através do conforto de tecidos e materiais nobres atrasavam o regresso a uma Europa medieval pobre e descuidada. 

    Maryam é uma mulher americana que vive num país árabe. Na tentativa de erguer uma casa de hóspedes fundada nos princípios árabes do extremo bom gosto, Maryam estabelece uma relação de abertura e confiança com todos os seus convidados. Aceitámos sem hesitações o convite para jantar em sua companhia. No final da sumptuosa refeição tive a oportunidade de ler cartas para todos, como agradecimento. 

    A leitura de Maryam foi muito descritiva do seu percurso e partilho-a aqui com a sua autorização. 

    Maryam

    Embora tenha uma ascendência parcialmente árabe e uma extensa experiência em viagens por países não-ocidentais, viver permanentemente fora dos Estados Unidos não é pêra doce! Maryam sente-se presa à multiplicidade de tarefas que tem e de papéis que exerce. Face a uma atitude perfeccionista e a obrigação de lidar com imensos desafios imbuídos de uma cultura estranha e lenta, Maryam questiona-se muitas vezes sobre a decisão de seguir o seu sonho e pagar o seu preço por inteiro. Até aqui o caminho tem sido difícil cheio de turbulência e imprevistos que lhe têm mostrado novos limites de tolerância e dureza no trabalho. A decisão de mudar de país esteve associada a um desentendimento conflituoso a nível profissional nos Estados Unidos. Perante a necessidade de cortar com o sofrimento das experiências passadas, Maryam precipitou a sua família para uma mudança radical, a qual é hoje em dia questionada diariamente. O projecto turístico de Maryam tem grande viabilidade económica, no entanto, o entusiasmo não está presente. As tarefas mundanas associadas à gestão do empreendimento são realizadas com grande tédio e aborrecimento. A sugestão aqui é aceitar as suas decisões e parar de construir cenários alternativos a decisões do passado já tomadas. O sucesso depende de muito trabalho e quanto maior for o entusiasmo colocado nesse esforço, mais fácil o percurso será. 

    Esta foi a mensagem principal que passei durante a leitura das cartas. Entre confirmações e ilustrações, Maryam ganhou a consciência que tudo tem um preço e que tomar uma decisão significa acima de tudo, ganhar algo e perder algo. As perdas constituem também o preço de uma decisão. Aceitar um percurso com todas as suas características é o segredo de um quotidiano tão mais agradável. Paz!

    PN

    Como funciona o Tarot?

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    Um dos livros mais citados e divulgados do Tarot contemporâneo pertence a Rachel Pollack. 78 Graus de Sabedoria é um clássico principalmente pelas descrições que oferece de cada carta e pela análise do percurso pelos Arcanos Maiores. Em Pollack reinventou o seu clássico e deu-lhe uma nova roupagem em 2008 com o nome de Sabedoria do Tarot: Ensinamentos Espirituais e Significados Mais Profundos. Este prepara-se para se tornar mais uma das bíblias da técnica de leitura de Tarot. Como nenhum destes livros foi até hoje traduzido para português, deixo um pequeno excerto. Pollack pergunta-se: Como funciona o Tarot? E responde:

    “A resposta a esta questão é muito simples: ninguém sabe. Dão-se várias explicações: o inconsciente ou o “eu superior” da pessoa guia as suas mãos enquanto baralha as cartas, uma força misteriosa chamada “sincronicidade” faz com que as cartas saiam como um padrão significativo (este termo deriva de Carl Jung e Wolfgang Pauli e significa coincidência), os deus trazem as mensagens, o diabo traz as mensagens; mas ninguém sabe ao certo. Alguns críticos do tarot defendem que não tem qualquer sentido ou que tem demasiados sentidos. Dado que cada carta significa algo, elas podem aparecer em qualquer posição e, a partir daí, as nossas mentes criam um padrão ou uma mensagem. Não tenho problemas com esta justificação. Como já disse, a leitura de tarot não é um acto de magia ou um espectáculo. O importante não está na sua origem, mas no valor que lhe damos. Pessoalmente, a minha experiência diz-me que algo mais se passa, algo que formata a leitura directamente e que determina as caras que saem, mas na prática penso que não interessa.”

    PN

     

    Como conduzir uma sessão de Tarot?

    A minha intenção neste post é apresentar algumas linhas orientadoras para uma sessão de Tarot de sucesso. Realizar uma sessão correctamente envolve respeito e profissionalismo face ao cliente. Estas sugestões não são exclusivas, mas pretendem dar uma direcção útil a qualquer estilo de leitura de cartas. 

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    1. Pré-Sessão

    Prepare tudo o que precisa para fazer uma leitura de Tarot antes da sessão. Verifique que a cliente tem todas as condições para estar confortável, por exemplo, água, lenços de papel, almofadas. Certifique-se que tem à sua disposição livros, tabelas ou quaisquer materiais de consulta que possa precisar, papel e esferográficas para escrever e material de gravação caso grave as sessões. Todos os rituais e concentração, bem como a limpeza física e espiritual da sala, devem ser assegurados antes da sessão. Lembre-se, quando o cliente entra na sala, o tempo é dele.

     

    2. Início

    Acolher a cliente deve ser um processo suave e cordial. Siga as regras de urbanidade e bom senso, sem cair em subserviência. Indique o local onde o cliente pode sentar-se e pousar as suas coisas (carteira, casaco, guarda-chuva, etc.). Esta é a altura ideal para se apresentar e ficar a saber o que precisa para avançar com a sessão, como nome, data de nascimento, estado civil ou número de filhos; preencha uma ficha com os dados do cliente, caso mantenha registos das suas sessões. Ofereça informação sobre o seu serviço. Caso tenha um estilo específico de leitura, informe o cliente. Explique-lhe como procede e pergunte se pode começar. Eu não respondo a perguntas sobre saúde e informo as minhas clientes novas antes de iniciar qualquer sessão. Se prefere que o cliente pague a sessão antes de a iniciar, é o momento ideal para tratar da parte administrativa da consulta. Evite observações sem sentido de uma pessoa que não faz parte do seu círculo de contactos pessoais… quando consultei as cartas pela primeira vez, a senhora que me recebeu, antes de tudo, disse: “Tu és muito medroso, não és? És ansioso.” A esta banalidade, só pude responder com outra super banalidade: “Sim, quando estou assustado.”

     

    3. Comunicação

    É essencial perceber o que o cliente espera/procura na sessão, eu diria que este é o ponto mais importante do sucesso de uma sessão. Eu prefiro saber exactamente o que ele quer antes de tirar as cartas. Se me diz que quer uma leitura geral, certifico-me que estou a fazer uma leitura correcta à medida que corre. Se quer respostas a perguntas específicas, respondo se puder/souber. Muitos autores de livros de Tarot são críticos em relação à reformulação de perguntas por parte do leitor. Eu não sou, desde que a reformulação da questão possibilite (1) a clarificação da pergunta para o leitor e/ou (2) o foco no cerne da dúvida. Por exemplo, se uma cliente me pergunta: “O meu namorado ainda vê a ex-mulher?” Eu pergunto: “Quando oiço a sua questão fico a pensar se quer saber se o seu namorado ainda ama a ex-mulher, é isso? Quer saber se ele gosta mais dela que de si?” Se a cliente negar, voltamos à pergunta inicial, se ela concordar, estamos mais próximos da verdade do cliente. Mesmo que o seu estilo de leitura passe pelo silêncio do cliente durante toda a sessão, certifique-se de que ele obtém o que espera.

     

    4. Opiniões

    Um leitor de Tarot oferece opiniões. Quando faz uma leitura de cartas, está a fazer a sua interpretação da tiragem. O cliente escolhe-o porque quer a sua opinião. Uma das diferenças entre um serviço psicológico ou médico face a uma leitura de Tarot é a natureza da informação. No Tarot as opiniões são educadas, informadas, intuitivas, enquanto que nas disciplinas científicas, a informação transmitida deriva de investigação, de estudos e está regulada por protocolos de serviço e Ordens profissionais. Quando o cliente a procura, quer uma leitura de cartas, se quisesse uma sessão de psicoterapia, consultaria uma psicóloga. Da mesma forma que as técnicas de psicoterapia não incluem Tarot. Sinta-se confortável para consultar material escrito durante a sessão. A cliente prefere que seja rigoroso e cuidado na formulação das suas opiniões. 

     

    5. Foco no Cliente

    Durante a sessão centre-se no cliente, e não em si. Sirva-o com a leitura e contribua para que possa tomar melhores decisões. No século XIX, o Tarot era uma actividade de previsão de acontecimentos concretos no futuro. Com o surgimento da Psicologia, a moda passou para as leituras sobre o funcionamento psicológico. Hoje em dia, o debate sobre esta dicotomia de estilos está na ordem do dia. Eu acredito que no futuro ressurja a tendência para as leituras centradas na previsão, ou pelo menos que estas sejam mais “aceites” ou mais facilmente assumidas. Este regresso deve ser estimulado, por exemplo, pelo surgimento de livros nestes tópicos, algo muito raro hoje em dia. 

    Há uma ideia difundida, e na minha opinião incorrecta, que as leituras psicológicas são terapêuticas (ajudam a cliente a mudar) e que as leituras de previsão estupidificam a cliente. O cerne desta questão passa por saber o que significa “terapêutico”. Terapêutico é um adjectivo que classifica o resultado, o efeito de uma leitura num dado cliente, e não uma técnica, ou uma tiragem. Nenhuma técnica (de Tarot, psicoterapêutica, médica, etc.) é terapêutica se não facilitar a mudança no cliente. Para mais, há muitos outros ingredientes numa sopa de transformação pessoal, além de uma tiragem ou de um estilo de leitura. Da mesma forma, as pessoas mudam com viagens, livros, filmes, telenovelas, discussões acesas, mortes, nascimentos… Todas as interacções podem ser potencialmente terapêuticas, e não acredito que se excluam as leituras prognósticas desse rol. Responda às questões do cliente, centre-se na informação que o pode ajudar a decidir, a fazer melhores escolhas para si, para aumentar o seu bem-estar. Quer se refira ao funcionamento psicológico, quer a acontecimentos no futuro aborde a informação no sentido do benefício do cliente. Pergunte-se: Como é que a cliente pode beneficiar do que lhe estou a dizer?

     

    6. Ego

    Acertar em datas e situações do futuro, dá ao leitor de Tarot uma aura de magia e misticismo extremamente carismática, e excelente para o negócio. Igualmente, fazer descrições correctas do comportamento e forma de estar de pessoas que não conhece tem um efeito de deslumbramento na cliente. Estas técnicas de sedução entram no pacote de uma leitura de Tarot. Ter acesso a informação rigorosa por meios esotéricos é algo que atrai clientes, todos sabemos. Alguns tarólogos que conheço são viciados nesta sensação de entrega e confiança extrema que os clientes depositam. Outros gostam de centrar a consulta em si e nas suas capacidades, confinam o cliente ao papel de mero observador de um espectáculo sensacional. O que podemos fazer para melhor servir o cliente no contexto de um instrumento tão misterioso e atractivo como o Tarot? Como podemos detectar o nosso ego e as nossas projecções na informação que forcemos?

    1. Ter uma vida satisfatória e equilibrada é essencial à abordagem correcta do cliente; viva a sua vida e invista no seu bem-estar pessoal; esqueça o cliente e lembre-se de si quando acaba a sessão… mesmo!;
    2. Em sessão, pergunte-se: como pode o cliente beneficiar desta informação? Estou a satisfazer as necessidades do cliente? Quais? Tenho a sensação de estarmos no mesmo barco durante a sessão ou perdi a atenção da cliente?;
    3. Evite linguagem técnica; não refira os significados gerais nem os nomes das cartas, porque os clientes em geral não os querem saber; não dê aulas de Tarot durante a leitura; a comunicação tem que ser clara entre os dois; imagine que está a construir uma história com o cliente e ambos têm que falar a mesma língua;
    4. Conheça os seus limites mentais e físicos: receba o número de clientes adequado pelo tempo adequado a um desempenho profissional excelente;
    5. Não consuma substâncias alteradoras da consciência antes da sessão e certifique-se que descansou o suficiente e está a 100% nas suas capacidades;
    6. Invista em supervisão ou intervisão. Junte-se a colegas e crie um grupo de troca e análise de leituras. Gravem a sessões com o consentimento informado, escrito e assinado pelo cliente. Troquem as gravações e comentem construtivamente as leituras. Este processo é altamente benéfico para o desenvolvimento profissional do tarólogo. Os problemas mais comuns nas leituras que supervisiono passam pela insistência num aspecto específico da informação mesmo sem a confirmação/colaboração do cliente e pela ausência de referências a informação absolutamente óbvia. A minha sugestão é ter um supervisor e passar a um grupo de intervisão depois de conhecer os seus enviesamentos e os conseguir detectar e corrigir durante as sessões.

     

    7. Encerramento

    Termine a sessão a horas, de acordo com o tempo que estipulou ou combinou com a cliente. Caso ofereça um ficheiro com a sessão gravada, certifique-se que conhece a melhor forma de o fazer chegar ao destino. Se mantiver registos escritos das sessões, logo após o cliente sair é a melhor altura para anotar a informação que lhe pareça relevante. Ofereça um cartão profissional com os seus dados ao cliente e informe-o de como/quando prefere ser contactado para uma próxima sessão. Se a cliente estiver emocionalmente perturbada dê tempo (e espaço) para recuperar antes de sair. 

    Imagem: xurble @ Flickr 

    PN

     

    Quem quer ser hoje? por D&G

    Ontem fui ao cinema ver o filme A Origem (Inception). Antes da sessão, divaguei pelas lojas do centro comercial e encontrei um óptimo exemplo de como o Tarot está presente nas expressões mais luxuosas da cultura pop. 

    Numa das perfumarias encontrei, na secção de homem, as fragrâncias da marca Dolce & Gabbana inspiradas em algumas cartas dos Arcanos Maiores. Esta colecção de perfumes está no mercado desde a Primavera de 2009 e a campanha de divulgação contou nomes grandes da moda. 

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    Em entrevista à revista ELLE, Domenico Dolce e Stefano Gabbana explicam as suas motivações e inspirações para criarem uma linha de perfumes associada ao Tarot.

    ELLE: Recorrem com frequência a leituras de Tarot?

    Domenico Dolce: As cartas de Tarot referem-se a diferentes aspectos das várias personalidades que existem em todos nós. Acho fascinantes as combinações de nomes, imagens e números. Não é preciso saber ler as cartas ou conhecer os seus significados para ficar encantado.

    Stefano Gabbana: Nunca usei as cartas, mas muitas pessoas se questionam sobre elas e  adoram-nas. 

     

    ELLE: Quais os critérios de escolha para estas cinco cartas?

    DD: Elas exprimem as ideias que quisemos transmitir: o sedutor, a diva, o romântico, o sonhador e o destemido são partes integrantes do carácter de todos. O aspecto mais importante desta colecção é a ideia de liberdade de escolha, algo que não o acorrente a qualquer característica de personalidade, mas que questiona: Quem quer ser hoje? 

    SG: As fragrâncias para nós são como um vestido. Podem trocar-se. Podemos ser uma pessoa durante o dia e outra à noite. Quando criamos apenas um perfume, temos que nos concentrar num aspecto único, o que pode ser difícil.

     

    ELLE: Dos cinco, qual é o vosso preferido?

    SG: Eu uso La Roue de la Fortune (Roda da Sorte) porque gosto de patchouli.

    DD: É como escolher entre filhos. Eu gosto de todos por razões diferentes.

     

    As Fragrâncias
    1. Le Bateleur (O Mágico)
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    É a primeira das cartas numeradas dos Arcanos Maiores do Tarot. Representa um homem com todos os instrumentos para manifestar no mundo todas as suas decisões. Esta carta representa uma forte determinação e uma vontade de ferro para criar, expressar e desenvolver ideias e projectos. É uma carta de acção e não de reacção, do principio de inspiração e consciência que permite a perseverança e a gestão da frustração apesar das dificuldades.  

    Versão D&G: Le Bateleur apela para uma mistura de notas aromáticas, com a presença do cedro e do vetiver que acrescentam o toque madeirado.

    3. L'Imperatrice (A Imperatriz)
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    A Imperatriz representa uma abordagem emocional da vida. As decisões são tomadas de acordo com sentimentos, mais do que com a razão. Por vezes, há recusa ou bloqueio dos factos, o que se associa a teimosia e principalmente, medo. Apesar da carta estar classicamente conotada com a maternidade, vejo-a sempre como uma tendência para ver a vida com os olhos da emoção.

    Versão D&G: L’Impératrice aposta na exuberância de uma fragrância frutal, com notas de melancia, kiwi e ciclamen côr de rosa, esquentados por almíscar.

    6. L'Amoureux (Os Namorados)
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    Uma escolha importante entre dois desejos é anunciada pelos Namorados. Para mim, representa a adolescência e as primeiras decisões que tomamos baseadas em vontades e sentimentos, mais do que na análise lógica de responsabilidades ou em experiências de vida. Esta carta conota-se facilmente com a análise de um relacionamento ou de uma pessoa com quem nos envolvemos emocionalmente. É uma carta que anuncia reflexões sobre a vontade de continuar nesses relacionamento ou ajuda face à tomada de decisão nesse sentido.

    Versão D&G: L’Amoureux tem uma aroma especiado e o seu âmago conta com bergamota, junipero, pimenta rosa, cardamomo e folhas de bétula, com conotações masculinizadas, sobre base almiscarada.

    10. La Roue de la Fortune (A Roda da Sorte)
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    A Roda da Sorte é uma carta de mudança. Mais do que considerar esta essa mudança boa ou má, a sugestão passa por agarrar a oportunidade de perceber mais profundamente as circunstância da sua vida. A vida avança e nós seguimos atrás muitas vezes sem a percepção de segurança e controlo de quem conhece bem de onde vem e para onde segue. A roda da sorte anuncia a possibilidade de encontrar o fio à meada da vida e compreender mais um pouco do mistério que nos faz continuar a rodar a roda. 

    Versão D&G: La Roue de la Fortune é uma fragrância mais unissexo, a qual mistura notas florais de tuberosa, gardénia e jasmim, com acordes mais masculinos nas notas de fundo, compostas por benjoim e patchouli. Esperamos sinceramente que esta fragrância não esteja amaldiçoada... O manequim brasileiro Fernando Fernandes (sigam-no no Twitter @efefernandes) que fez o spot para esta carta sofreu um acidente de viação poucas semanas depois de gravar, e encontra-se paraplégico desde então. 

    18. La Lune (A Lua)
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    A Lua é a fonte suprema de imaginação. Está aqui implicada a activação das imagens e energias inconscientes que fazem a ponte entre os aspectos menos visíveis do ser humano: o seu passado, a sua herança genética, as suas características de personalidade menos expressas e os arquétipos que exprimem a interacção do homem com a matéria. O lado lunar humano está associado tanto ao sofrimento, como à introspecção. A irreversibilidade dos ciclos lunares expressa-se em muitas áreas da vida do Homem e é sentida como uma fatalidade, ou como a inegável presença do destino.

    Versão D&G: La Lune tem um estilo mais floral amadeirado, com lírios e tuberosas no coração, reflectindo sobre um fundo de sândalo.

    O resultado final para esta tiragem de cinco maravilhosos Arcanos Maiores:

    Notas sobre a composição das fragrâncias adaptadas de perfumenapele.com
    Imagens: Elle.com

    PN

     

    Gogol Bordello - Pala Tute

    A banda Gogel Bodello lançou em Abril de 2010 o álbum Trans-Continental Hustle e o primeiro vídeo do álbum sai para Pala Tute, uma música já cantada pela banda há vários anos. A nova roupagem sonora vem acompanhada por um videoclip excelente, cheio de narrativa e energia. 

    E onde entra o Tarot?

    Ora vejam em baixo como toda a história se desenvolve em redor de três cartas dos Arcanos Maiores e termina com uma tiragem bem interessante.

    Divirtam-se! Boa semana de Agosto!

    PN

    O Apartado

    Uma amiga ligou-me e pediu-me para interpretar uma tiragem que fez em relação a um recente namorado. Resumidamente, o namorado tem um apartado a 40km do local onde vive. Quando a minha amiga lhe pergunta sobre o apartado, ele diz-lhe que esse assunto não lhe diz respeito. 

     

    Ela tirou três cartas para perceber a situação. Com a última carta veio uma quarta, que ela manteve e colocou acima das primeiras três. A distância de expectativas e a abertura à possibilidade de acontecimentos desagradáveis possibilitam as leituras para nós próprios. A minha amiga estava bastante preocupada com a situação (e naturalmente com muitas outras circunstâncias que não mencionou) e não teve a distância para aceitar o que não quer ver. Desta forma, e mesmo lendo as cartas de forma brilhante, sentiu necessidade de pedir ajuda e enviou-me uma fotografia da tiragem. 

    Pergunta: O que se passa com o R. (o namorado)?

    Saíram as cartas: O Cavaleiro de Espadas, 9 de Copas invertido, O Imperador invertido e a quarta carta, colocada acima, o Pagem de Copas.

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    Perante uma pergunta específica deste tipo, coloco a possibilidade desta ser a ponta de um novelo de dúvidas, mal entendidos, dificuldades de comunicação e distância entre duas pessoas. Por isso, interpreto as cartas como o retrato da situação. Claramente, as cartas referem-se a uma pessoa e às circunstâncias da sua vida. 

     

    A minha leitura das cartas é a seguinte:

    O R. é um profissional bem sucedido, tão bem sucedido que tem dificuldade em conter a importância que atribui a si próprio. Esta atitude pouco humilde que exibe tem um impacto negativo nas suas relações sociais. O sucesso é acima de tudo um estado de espírito que pode, ou não, ter relação directa com o mundo material. Para além de consequências desagradáveis socialmente, o desafio desta leitura encontra-se nas tarefas profissionais em si. Sabendo que R. gere uma empresa sua, coloca-se a forte probabilidade de os negócios estarem a correr menos bem. A percepção de sucesso fez com que R. contasse com lucro permanente apesar de ter dado menos de si ao trabalho e mais ao lazer. Esta tiragem não mostra segurança nenhuma nos movimentos empreendedores de R. 

     

    As características de excelente comunicador e relações públicas de R., criam uma fluidez nos contactos profissionais muito adequada ao sucesso comercial. A sua inteligência, perspicácia, ponderação e confiança tornam-no uma estrela na equipa que lidera. Toda a sua energia é aplicada a vários projectos derivados de ideias brilhantes e admiradas por todos. Os poucos anos de experiência no meio associados a uma energia inesgotável levam-nos a manter demasiados projectos em simultâneo, e daqui derivam todos os desafios do presente.

     

    R. perdeu o controlo das várias situações profissionais em que está envolvido, principalmente por excesso de confiança. Está iminente a oportunidade de uma lição pessoal e profissional importante associada à perda de poder. O funcionamento do mercado vai dificultar a continuação dos projectos de R. A aprendizagem contida nesta experiência de vida está associada ao treino do apreço, da gratidão e da humildade. 

     

    A mensagem para a minha amiga passa pela confiança na sua intuição. Esta situação com o namorado pode ser utilizada para estreitamento dos laços entre os dois. Se ambos aproveitarem esta oportunidade, uma fase mais genuína e íntima da relação pode ser construída a partir daqui.

     

    Quanto ao apartado, a minha hipótese é que esteja associado a algum projecto desconhecido da minha amiga e que não esteja nada bem de saúde. Sugeri que abordasse o assunto do apartado directamente, e que o associasse a projectos profissionais e não a eventuais relações pessoais.

     

    Advertências a R.

    1. Voltar ao trabalho para inverter a onda de consequências do seu desinvestimento;
    2. Aprender a criar e a manter alicerces seguros para os seus projectos profissionais;
    3. Trabalhar na humildade e a gratidão pelos frutos do seu investimento.

     

    Acompanhamento

    Depois de uma conversa sincera e libertadora, R. revelou que uma das suas empresas estava a ter problemas sérios a nível financeiro e que não queria que o assunto se difundisse pela família e amigos. O apartado para onde a correspondência era encaminhada serviu para manter o secretismo, principalmente de colegas de trabalho noutros projectos. 

     

    Imagens: Revelations Tarot de Zack WongLlewellyn, 2005

    PN