Sobre Pedro Neves



O objectivo da vida é fazer com que o seu coração bata em sincronia com o ritmo do Universo, é fundir a sua natureza com a Natureza. Joseph Campbell


O meu nome é Pedro Neves, sou o autor e moderador deste blog, e transcrevi esta entrevista que me foi feita em 2009 para aqueles que querem saber um pouco mais sobre mim e sobre a minha perspectiva do Tarot. 

Quando é que Tarot o encontrou?
Há muita verdade nessa pergunta… Tive um primeiro contacto com as cartas em 1998 quando me ofereceram um baralho com o padrão de Marselha. Senti imediatamente uma grande atracção pelas cartas e lembro-me de tentar fazer várias leituras com as instruções mínimas que tinha. Na altura não havia a utilização da Internet que há hoje, não havia livros bons de Tarot à venda em Portugal e era complicado encomendá-los. Como não conhecia ninguém que lesse ou que ensinasse Tarot abandonei este investimento e dediquei-me à faculdade, mas guardei sempre esse primeiro baralho, que aliás, ainda tenho. 

Como aprendeu a ler Tarot?
Tal como a grande maioria das pessoas que lêem Tarot, aprendi através de livros, inicialmente. Há inúmeros livros introdutórios ao Tarot no mercado. No entanto, os bons livros de Tarot não estão actualmente traduzidos para português europeu e não são vendidos em Portugal. Depois de me sentir seguro e de ter feito mais de 100 leituras, decidi aprofundar e tive a oportunidade de aprender na Tarot School sediada em Nova Iorque e em cursos livres dados por tarólogos internacionais. Muito importante para a minha formação foram as excelentes relações que criei com outros profissionais estrangeiros com presença na Internet, pelas impressões que troquei, dúvidas que esclareci e diálogos que fui construindo. Há pessoas que lêem há décadas e ensinam as suas estratégias através de blogs, podcasts e websites de forma muito altruísta e desprendida. Muitos deles têm uma presença regular nas redes sociais e são bastante acessíveis. Mesmo depois de ter um curso de Tarot, há aprendizagens e troca de experiências que é preciso manter. Aprender Tarot é um percurso que podemos fazer durante toda a vida, se quisermos.

Considera importante ter formação complementar para ler bem o Tarot?
É importante ter formação adequada em Tarot para ler as cartas e se possível ter um grupo de intervisão, ou seja, de troca de experiências com colegas. Considero muito importante trabalhar no desenvolvimento intuitivo, conhecer outros sistemas de adivinhação e conhecer técnicas básicas de aconselhamento para saber qual a informação a passar e, principalmente, como a passar. Em qualquer actividade profissional de ajuda, está no topo dos requisitos o trabalho interior do técnico no sentido do seu próprio desenvolvimento e análise pessoal.

Referiu a intuição... isso quer dizer que lê as cartas intuitivamente?
Nada substitui a aprendizagem de técnicas específicas para ler Tarot. Um bom leitor conhece vários níveis de interpretação do significado e da relação entre as cartas, bem como a sua relação com outros sistemas de adivinhação, como a astrologia, a numerologia ou a Kabbalah. Fico apreensivo quando oiço alguém dizer que lê as cartas intuitivamente apenas, porque acredito que estará a projectar a sua realidade psicológica nas cartas e a transmitir informação ao cliente, a qual diz mais sobre si do que sobre o próprio cliente. Recorrer à intuição para mim significa trabalhar com guias espirituais, com quem se constrói uma relação de confiança. Estes guias oferecem informação que está para além do que se revela nas cartas e é um complemento, mas para ler as cartas não é necessário ter a intuição desenvolvida. É necessário saber técnicas introdutórias e avançadas de Tarot. 

Considera as suas leituras mais psicológicas ou mais prognósticas?
Fala-se muito sobre essa dualidade e há acérrimos defensores de um e de outro formato na apresentação da informação. Eu diria que faço as duas com tendência para ler de forma mais psicológica, ou seja, para abordar o funcionamento psicológico da pessoa que me consulta, mais do que me debruçar sobre acontecimentos específicos que terão lugar no futuro. Acredito que as crenças das pessoas determinam a sua experiência de vida e gosto de dar a possibilidade aos clientes de mudarem estruturalmente a sua vida a partir dos elementos mais fundamentais, que são as crenças e os pensamentos. As circunstâncias de vida existem para nos apoiarem nessa transformação em direcção a um maior bem-estar. Mas se não soubermos como abordar, experienciar, viver e principalmente como aproveitar esses acontecimentos, a vida passa-nos ao lado.

Qual a vertente do Tarot que mais o fascina?
Tudo no Tarot me fascina! Desde as técnicas de leitura às diferentes representações pictóricas nas cartas, passando pelo rigor da informação e pela história do Tarot, que é um corpo de conhecimento que desde há muito poucos anos tem sido abordado com seriedade. O que mais me intriga é a relação da informação que recebemos através das cartas com o tempo. Existirá um paralelo entre a experiência do tempo que os seres humanos têm e o conceito/função do tempo transmitidos pelo Tarot? Tenho pensado muito sobre isto e estou longe de chegar a conclusões. 

Onde dá consultas de Tarot?
Faço atendimento presencial em Lisboa e Setúbal e através de telefone ou Skype em português e inglês. Respondo a questões também por email. Para agendar uma leitura basta enviar uma mensagem na página Contacto

Que baralho utiliza habitualmente?
Apesar de ter recebido inicialmente o Tarot de Marselha, nunca o utilizei para estudar ou trabalhar. Aprendi com o baralho Rider Waite Smith e foi o meu baralho de eleição durante muito tempo. Actualmente, utilizo o Revelations Tarot de Zack Wong e gosto muito do Osho Zen. 

Há perguntas que não faz ao Tarot?
Sim, há. Não respondo a perguntas sobre saúde física ou realização de abortos. Relativamente à saúde física, não tenho formação em Medicina, portanto não estou habilitado a fazer diagnósticos. Se as pessoas que me consultam querem saber sobre saúde, sugiro que se dirijam a um médico. Acredito que está fora das minhas competências saber se uma mulher deve ou não fazer um aborto, devido à complexidade a inúmeros níveis das consequências dessa decisão. 

O que o levou a criar o blog Tarot Portugal?
Uma grande necessidade de escrever e divulgar o Tarot em língua portuguesa para um público português, em primeiro lugar. Depois, a necessidade de estabelecer relações com outros profissionais através de uma plataforma dinâmica em que todos possam colaborar. A informação apresentada permite responder a questões tanto de pessoas que estão no início da sua aprendizagem como de leitores com necessidades mais avançadas, e esta pluralidade e partilha alegra-me muito.